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Entrevista com Fabio Laguna
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1. Fábio, como foi seu início na música?

Foi completamente intuitivo, como vem sendo até hoje. Claro, tenho que considerar a influência do meio em que cresci e a minha determinação depois que fiz da música o meu meio de vida. Sempre contei com o apoio incondicional dos meus pais e isso é realmente fundamental pra quem está iniciando na carreira musical. Com 14 anos eu já integrava a minha primeira banda, chamada Lord Harbor, que tinha como objetivo compor, e não tocar covers. Isso foi meu maior incentivo pra entender que quando você quer ir além dos "trabalhos da noite" é preciso ter algo próprio. Não adianta ficar somente tocando covers, ou você só fará isso a vida inteira. É muito mais prazeroso tocar o seu próprio som, porque daí é você quem define os parâmetros e não se sente obrigado a estudar uma técnica ou estética de uma outra pessoa pra tentar soar melhor do que o próprio criador, o que logicamente é impossível.

2. Hoje você trabalha em quais projetos?

O Hangar é minha atividade principal hoje em dia. Estamos em turnê de divulgação do nosso último disco, o Infallible. Paralelamente a isso, também toco na OFFicina do sON, que é uma banda cover especializada em não ter especialidade nenhuma, rs... Explico: estamos juntos há 17 anos, então o repertório é imenso. Nós conseguimos tocar desde Frank Sinatra a Iron Maiden. Não temos limites. Por isso conseguimos tocar em convenções empresariais, formaturas, casamentos, encontros de motociclistas, bares, aniversários de cidades, etc, etc, etc... O mais legal da OFF-ON é que ela reflete justamente o que penso sobre música: acho que essa classificação de estilos um tremendo "apartheid". Música é música e ponto final. Se eu gosto de rock´n´roll, isso não interessa quando eu subo em um palco para TRABALHAR. Claro que adoraria tocar só o que gosto, mas sinto-me realizado somente por viver da música. Isso só requer vontade de trabalhar. Também tenho meu home studio que demanda uma certa atenção. Neste ano, por exemplo, já gravei dois discos nele. E faço muito free lance para as bandas da minha região. Ainda bem que tecladista é uma espécie rara, daí consigo trabalhar bastante, rsrs.

3. Você ministra muitos workshops pelo Brasil não é? Teria como você nos dar um resumo de temas que você aborda?

Comecei a fazer workshops há uns dois anos. Até então não me sentia completamente preparado para encarar uma platéia sozinho. Acredite, sou extremamente tímido. Outro fato que colaborou para que eu não realizasse workshops antes é que não tenho qualquer espécie de formação acadêmica. Não achava justo que uma pessoa "sem estudo" fizesse workshops para pessoas que estudaram muito. Foi então que percebi que estava completamente enganado. A minha experiência de vida profissional é igual ou maior a de muitas pessoas que passaram centenas de horas na frente de um professor, mas tiveram poucas chances ou vontade de aplicar toda teoria que adquiriram. É exatamente esse o foco dos meus workshops. Acho que falta atenção ao lado prático nas instituições de ensino. No meu workshop costumo abordar temas como teclado e mercado, produção musical, linguagem MIDI, programação de sintetizadores, seqüenciamento... Adoro dar dicas de sobrevivência na estrada do tipo como consertar uma tecla, qual equipamento correto pra cada situação, como se portar em um grupo de trabalho, que no nosso caso é uma banda, e por aí vai... Nos meus workshops não costumo me estender quando o assunto é teoria musical. Não sou a pessoa mais indicada pra isso. Em resumo, só procuro passar um pouco da minha experiência pessoal/profissional que tive com as mais de 80 bandas que já toquei, ou dos mais de 30 discos que já gravei, etc, etc, etc...

4. Você já ministrou um workshop aqui em S. S. do Paraíso-MG o que achou da galera?

Achei animal! É complicado opinar sobre isso porque quando me sinto em casa, entre amigos, sou suspeito pra deixar qualquer impressão. Mas fui muito bem recebido pelo Instituto Feeling e espero ter colaborado de alguma forma com a formação de seus alunos, que tenho certeza de que estão em ótimas mãos.

5. Como é o trabalho com a banda Hangar?

Em uma palavra: intenso. O Hangar é muito mais do que uma simples banda, é uma empresa completamente independente. Não temos empresário ou gravadora. Nós bancamos o nosso disco, nossa divulgação, cuidamos dos contratos, logística, etc. Dessa forma temos controle total da situação e viabilizamos a continuidade da banda dentro de um estilo, digamos, um tanto quanto complicado de se vender. Olha só, somos a única banda brasileira de heavy metal realmente em turnê pelo Brasil no momento.

6. Como estão as tours?

A turnê de divulgação do nosso último disco, o Infallible, começou há quase 3 meses. Até agora fizemos cerca de 30 datas, entre shows, eventos promocionais, workshops individuais ou com a banda toda. Isso vem sendo um grande aprendizado e uma experiência maravilhosa. Estamos trabalhando com a maior estrutura própria que uma banda de heavy metal já teve na história do rock nacional, que inclui um ônibus próprio, o backline e todo o sistema de sonorização. Essa foi a melhor saída que encontramos para viabilizar nossas apresentações e levar um show de qualidade para qualquer canto do Brasil. Fiquem ligados na agenda do nosso site, www.hangar.mus.br, pois em breve poderemos estar na sua cidade ou bem perto.

6. Qual sua rotina de estudos?

Ultimamente, estudar e trabalhar significam a mesma coisa para mim. Não tenho mais tempo para separar essas duas coisas. Quando pinta uma dificuldade no trabalho, daí sinto que é hora de dar atenção para essa deficiência. Adoraria ter mais tempo para estudar, no sentido estrito, mas tenho trabalhado demais. Quando estou em casa, costumo passar pelo menos 8 horas por dia tocando, gravando, compondo e até estudando, rsrs.

7. Você gravou no CD BOO do guitarrista Daniel Pique, como foi a produção das suas partes?

Foi um dos maiores desafios que já tive. O Daniel tinha pressa na entrega dos meus arranjos devido à agenda dos outros músicos e do estúdio onde o disco estava sendo gravado. Eu tive uma semana de prazo entre conhecer as músicas e entregar os arranjos. Foi uma aventura com final feliz, rsrsrs... Gravei todos os meus arranjos em casa e mandava para o Daniel para que fossem aprovados. Felizmente tudo correu dentro prazo e o resultado foi um álbum interessantíssimo.

8. No seu workshop você disse que curte som eletrônico, você está trabalhando em algum projeto nesse estilo?

Putz, eu adoraria, mas infelizmente no momento estou sem tempo pra isso. Um dia sai...

9. Pelo que estou vendo você trabalha em diversas áreas como tecladista, como você adquiriu tamanha versatilidade?

Com cara de pau, rsrsrsrsrs... Mas é isso mesmo, a minha dificuldade em dizer não para os convites que pintavam foi o que me proporcionou essa versatilidade. Teve uma época da minha vida que eu só trabalhava como free lancer, para 11 bandas. Então, eram 11 repertórios diferentes. Eu adoro desafios. Claro que isso requer um sacrifício enorme, noites sem dormir, uma organização extrema. Não foram poucas as situações em que tive que fazer três shows no mesmo dia para três bandas e em três cidades diferentes. Eu soube tirar proveito dessa carência de tecladistas.

10. Qual é o seu set de equipamentos?

Já cheguei a usar quatro teclados no palco. Esteticamente é lindo, mas pouco prático e funcional. Hoje em dia utilizo somente uma workstation, que é um Triton Extreme e o meu xodó, o TX-5 da Tokai... Aliado a isso, levo um note book e só. Simples e funcional para qualquer situação.

11. Você leva o mesmo set em todos os trabalhos?

Sim, o mesmo set que citei acima, com exceção do note book que só é útil para gravações.

12. Fale-nos sobre o Freakeys, como surgiu a idéia?

O Freakeys era para ser um disco solo, já que todas as composições são minhas. Mas como as colaborações dos outros músicos nos arranjos foram tão importantes, decidi tornar um projeto de banda.

13. Quando sai o próximo disco do Freakeys? A galera aqui sempre pergunta rs!

Também gostaria muito de já ter lançado outro trabalho nos moldes do Freakeys, mas no momento está difícil encontrar tempo para me dedicar a um trabalho como esse.

14. Fábio manda um recado para os alunos da Feeling aí que estão iniciando nas teclas!

Aproveitem muito cada instante da carreira de vocês! Vocês escolheram o instrumento certo para trabalhar! Mas não esperem que as coisas caiam do céu. É preciso criar oportunidades e a melhor forma para que isso aconteça é "aparecer". Enquanto vocês não conseguirem achar o "potinho de ouro no final do arco íris", basta fazer o que um músico tem que fazer: tocar. Boa sorte!
Postado por zani em 20/12/2011.
Fonte: Instituto Feeling
 
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